Entenda o que é a Supremacia Branca nos EUA em 3 passos

Charlottesville, fim de semana do dia 27 de agosto de 2017. Dias que ficarão conhecidos na história como uma das maiores marchas de supremacistas brancos do século XXI nos Estados Unidos.

A marcha, organizada por movimentos de supremacia branca, neonazistas e ultraconservadores começou com o objetivo de mostrar força e protestar contra a retirada da estátua em homenagem a Robert E. Lee, um general do exército confederado que, entre outras coisas, defendia a continuidade da escravidão na Guerra Civil Americana.

Movimentos em defesa dos direitos humanos compareceram à manifestação para lutar por direito e igualdade independente de raça. O resultado foi um final de semana com 3 mortos e pelo menos 34 pessoas feridas, que abriu feridas antigas de um país que viveu intensamente a divisão racial.

Como movimentos de supremacia branca ainda fazem tanto barulho nos Estados Unidos? Por que isso ainda acontece no país?

Para responder a esta pergunta, organizamos três passos para você entender porque tudo isso acontece.

1º passo: como surgiram os movimentos de supremacia branca?

Assim como o Brasil, o Estados Unidos possui um histórico de colonização baseado na escravidão. Parte da mão de obra utilizada no país até o início do século XX era de escravos.

A situação no país começou a mudar na Guerra Civil Americana, um confronto entre o Norte, industrial, contra a escravidão e o Sul, de economia essencialmente agrária que, segundo eles, só funcionaria mantendo a estrutura escravocrata existente na região.

O impasse gerou a divisão dos Estados Unidos: os Estados Confederados da América, composto por estados que defendiam a escravidão, e a União, grupo representado pelos estados desenvolvimentistas do norte.

A vitória da União, fez com que muitas cidades do sul entrassem em colapso, gerando pobreza e degradação.

E foi neste cenário, pós-Guerra Civil Americana, que surgiram os movimentos que defendiam a supremacia branca, alegando que os brancos deveriam se unir para combater os negros, que agora, em liberdade, poderiam se reunir e se tornar uma ameaça para os brancos norte-americanos.

2º passo: O que é a Ku Klux Klan?

Principal movimento de supremacia branca norte-americano, a Ku Klux Klan surgiu neste contexto, logo após a Guerra Civil Americana. Fundada em 1865 no estado do Tennessee, a Ku Klux Klan tinha três itens necessários para aceitar integrantes: ser branco, norte-americano e cristão.

Proibida em 1882, a organização praticamente deixou de existir, até que, em 1915, na Geórgia, o grupo passou também a defender o nacionalismo e a xenofobia em relação a outras etnias. Neste período, católicos e judeus se juntavam aos negros na lista de odiados pela KKK, que chegou ao seu auge, com 4 milhões de seguidores, na grande depressão nas décadas de 1920 e 1930.

Além de movimentações discretas entre 1960 e 1970, quando era monitorada e penalizada pelo governo, a Ku Klux Klan se manifestou e participou da organização de atos de supremacia branca e nacionalismo nos últimos anos com mais força, chegando a ter, inclusive, simpatizantes nas manifestações em Charlottesville.

3º passo: porque os movimentos voltaram à tona?

A crise norte-americana de 2008 que empobreceu parte da população, aliada a uma guinada à direita na política mundial são fatores que colaboraram para a volta dos movimentos de supremacia branca, não só nos Estados Unidos como em todo o mundo.

Mesmo com a eleição de Barack Obama, o primeiro presidente negro da história, era possível notar que movimentos nacionalistas, principalmente nos estados do sul, começavam a ganhar força a partir de 2008.

A eleição de Donald Trump contou com a ajuda de alguns desses movimentos, que se aliaram a chamada “alt-right” norte-americana, um movimento de direita com viés conservador e nacionalista, peça-chave para a eleição do atual presidente dos Estados Unidos.

Organizados digitalmente e com força graças a declarações de Donald Trump, o presidente que eles votaram para a Casa Branca, os grupos de supremacia branca saíram da internet e das redes sociais e começaram a mostrar sua cara.

Gritos como “vidas brancas importam”, que foram exaltados em Charlottesville, poderão ser ouvidos em outros lugares dos Estados Unidos nos próximos anos, graças ao fortalecimento e a organização destes grupos no país.

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